Nesse ponto aqui, eu vou bater de frente com a maioria dos influenciadores de viagem que você acompanha por aí.

Se você já começou a pesquisar sobre o assunto, com certeza ouviu alguém dizer: "Leva só o básico, o resto você compra lá porque é muito mais barato".

Pois é. Eu discordo totalmente. E vou te explicar o porquê.

Pensa aqui comigo: você provavelmente vai pedir demissão do seu emprego no Brasil. Vai passar meses juntando dinheiro para fazer esse intercâmbio acontecer. Aí você desembarca em um país totalmente novo. Tem que correr atrás de moradia, de documentação, de emprego, gastando em uma moeda mais forte que a nossa.

Você acha mesmo que vale a pena colocar um gasto imprevisível com roupas e coisas que você poderia ter comprado parcelado no cartão no Brasil, enquanto ainda tinha um salário fixo? Para mim, isso é loucura.

Eu cometi esse erro. Levei pouca roupa de frio para Malta e adivinha? Tive que comprar casacos lá fora, pagando em euro com o dinheiro que eu tinha juntado em real. Saiu caro demais.

"Ah, Guilherme, mas se eu levar muita coisa, a passagem vai ficar mais cara por causa do excesso de bagagem". Verdade. Vai sim. Mas o valor de uma mala despachada a mais é infinitamente menor do que o preço de renovar um guarda-roupa inteiro no exterior.

A regra também vale para tecnologia. Os valores de eletrônicos em Malta, por exemplo, eram muito parecidos com os do Brasil quando eu fazia a conversão. Então, conselho de amigo: compre tudo o que você precisa antes de sair do Brasil e leve com você.

Outra coisa: dificilmente você vai conseguir parcelar algo no exterior! Às vezes, você dá sorte de gerarem um link de pagamento que você consegue colocar o país como Brasil. Isso é uma exceção gigantesca, consegui fazer isso apenas com a escola de idiomas e me salvou demais.

Lista essencial para o clima europeu

Como a minha experiência mais longa foi na Europa, vou te dar uma lista de coisas que considero indispensáveis para o clima de lá. Elas servem para quase qualquer lugar do mundo, mas vale sempre checar o clima da sua cidade de destino antes de fechar a mala.

1. A segunda pele é sua melhor amiga

Eu comprei a minha primeira segunda pele em 2023, na Decathlon, para fazer uma viagem para a França. Usei muito. Mas, como eu estava viajando no estilo mochilão, ela acabou ficando suja.

Pouco tempo depois, fui para a Espanha. Olhei para a janela, vi um sol lindo e pensei: "Bom, a segunda pele está suja, mas está um sol bonito lá fora. Vou só com uma blusa normal, vai dar conta". Resultado: eu quase congelei. Passei o dia tremendo de frio, com um solzinho batendo na minha cabeça.

Leva a sua segunda pele.

2. Um corta-vento de guerra

Eu ganhei uma blusa idêntica a essa da Quechua do meu pai quando fui viajar em 2023. Peguei emprestado e nunca mais devolvi.

Se você me segue no Instagram, já deve ter reparado que essa blusa é mais viajada que a maioria dos brasileiros. Ela está comigo em absolutamente TODAS as fotos de viagem.

Ela é a coisa mais elegante do mundo? Não é. Mas ela vai te salvar do vento e do frio em situações que você nem imagina. Malta, por exemplo, não tem um inverno congelante, mas venta de um jeito que corta a pele.

O truque é simples: coloca uma roupa linda por baixo, joga o corta-vento por cima para se proteger no caminho e, quando chegar no lugar, você tira. Só não viaje sem ele.

3. Cuidado com as malhas finas

Eu moro em São Paulo. Quem é daqui sabe que a gente é acostumado com aquele clima meio termo, dias levemente frios onde uma malha fina resolve. Na Europa não tem essa de meio termo. Ou está um frio de verdade, de congelar o nariz, ou está um calor gigantesco.

Levar aquelas blusinhas finas é só ocupar espaço na mala à toa. Prefira malhas mais grossas, não precisa ser necessariamente casaco de pele ou lã pesada, mas materiais que aguentem uns 13ºC sem passar sufoco.

Se o seu destino costuma ter temperaturas entre 10 °C e 15 °C, um suéter de tricô já resolve grande parte das situações. É uma peça versátil, confortável e fácil de combinar.

Agora, se você vai enfrentar um inverno um pouco mais rigoroso, vale investir em uma malha mais pesada. Ela faz bastante diferença no conforto sem precisar usar um casaco extremamente grosso o tempo todo.

Para quem vai morar em regiões onde o frio realmente aperta, um suéter forrado oferece uma camada extra de isolamento térmico. É uma ótima escolha para reduzir a necessidade de várias camadas de roupa em temperaturas mais baixas.

4. Onde os europeus compram (e uma exceção à regra)

Durante o meu ano em Malta, eu trabalhei na Zara. E ali eu pude ver de perto: os europeus compram muito lá. Essa é a única grande exceção que eu faço sobre comprar roupas no exterior.

Quando eu voltei para o Brasil, percebi o quanto a Zara aqui é cara. Mesmo convertendo o euro para o real, as roupas da Zara na Europa são bem mais baratas e acessíveis. Então, se você quiser se dar ao luxo de comprar algumas roupas novas quando chegar lá, deixe para a Zara.

E um detalhe de bastidores: a Zara da Espanha é consideravelmente mais barata do que nos outros países europeus, inclusive Malta. Se a sua conexão ou o seu roteiro passar por lá, vale muito a pena tirar umas horas para dar uma olhada.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre o que levar na bagagem

1. Vale a pena pagar por uma mala despachada a mais no intercâmbio?

Na maioria dos casos, sim. O valor de uma mala despachada costuma ser muito menor do que o custo de comprar roupas, casacos e outros itens essenciais utilizando uma moeda mais forte no exterior. Se você já possui esses produtos no Brasil, normalmente faz mais sentido levá-los com você.

2. É realmente mais barato comprar roupas no exterior?

Depende do país e da loja, mas essa não deve ser a base do seu planejamento. Quem faz intercâmbio normalmente chega com um orçamento limitado e diversas despesas iniciais, como moradia, alimentação e documentação. Evitar compras desnecessárias nos primeiros meses ajuda a preservar sua reserva financeira.

3. Devo comprar eletrônicos antes de viajar?

Sempre que possível, sim. Além da possibilidade de parcelar a compra no Brasil, você evita gastar uma parte importante da sua reserva em moeda estrangeira. Antes de decidir, compare os preços do destino para verificar se realmente existe vantagem em comprar lá.

4. É possível parcelar compras durante o intercâmbio?

Na maioria dos países, o parcelamento não é tão comum quanto no Brasil. Por isso, vale a pena aproveitar o período antes da viagem para adquirir itens importantes, como roupas e eletrônicos, reduzindo gastos inesperados quando já estiver no exterior./p>